Olá pessoal, esse é um episódio da série de textos que estou escrevendo sobre aprendizado.
Começaremos essa jornada com um fato que muitas vezes ocorre na vida de quem estuda e faz testes.
Sabe aquele branco que já nos deu naquela prova? Será que a gente sabia as coisas mesmo, ou deixou pra saber se sabia na hora da prova? Será que aprendemos o que estudamos, ou apenas entendemos?
Hoje falaremos de um problema pelo qual quase todos passam, alguns dos quais percebem e outros tantos não: a ilusão da fluência.
Depois, como de costume, teremos uma sugestão de solução para o problema.
Depois, como de costume, teremos uma sugestão de solução para o problema.
Ilusão da fluência? Que djabeisso?
Suponha que um cabra esteja lendo um texto de história, ou talvez matemática. O cabra lê de boa na lagoa. Aí ele pensa "esse negócio tá fácil, eu estou entendendo tudo... macho véi, eu manjo dos paranauê!". Será que manja mesmo?
Esse ponto talvez seja óbvio, mas achar que entende é diferente de entender e entender é diferente de aprender. A novidade talvez seja apenas que existe um nome científico para isso, mas acharmos que entendemos uma coisa não quer dizer que realmente entendemos, e o fato da sua leitura ser fluente não quer dizer que você está aprendendo tudo e vai saber amanhã. Acreditar que aprendeu pode ser uma gigantesca ilusão.
A principal questão que eu quero levantar aqui é: esse problema irá continuar ocorrendo, se você não decidir evitá-lo ativamente. Em geral, não será uma coisa natural evitá-lo, mas não ser natural não significa ser ruim: sorvete é gelado e é bom, e celulares não nascem de árvores.
Sim meu véi, o problema eu já sei... O que eu quero é a solução!
É claro que esse texto não seria muito útil se eu só dissesse que existe um nome pra o efeito achar que sabe. Então a seguir ofereço uma sugestão de solução (e se você tiver outras, deixe nos comentários).
E agora, José, qual é a solução? Qual é a vacina contra essa ilusão?
A vacina para essa ilusão, assim como para as ilusões em geral, é por à prova. Neste caso significa testar se você realmente sabe o que acha que sabe.
Às vezes, temos uma intuição ou um entendimento parcial das coisas, e por "lembrarmos perfeitamente" cinco minutos depois de ler e sempre que relemos, pensamos que sabemos; mas meu jovem, não necessariamente. Então é melhor se testar pra saber se você realmente entendeu e aprendeu a treta.
Fazer teste, vai te fazer enxergar qual é o ponto específico do conhecimento que você não entendeu ainda.
Dizer o que fazer é fácil, quero ver pagar minhas contas...
Agora que você já sabe que basta se testar, você pode estar pensando: o que fazer eu já sabia, quero saber como fazer isso?.
Fácil, meu jovem Padawan
1. Sabe aquelas coisas que você está estudando? Em vez de anotar o que acha importante e deixar no papel a informação que você quer levar na cabeça, quando se deparar informações relevantes, faça perguntas cuja resposta é aquela informação.
Por exemplo:
Em vez de anotar num papel (ou de apenas ler)
"Uma cianobactéria é uma bactéria que obtêm energia por fotossíntese"
anote
"O que é uma cianobactéria?", ou até mesmo "O que porra é uma cianobactéria?"
(tendemos a lembrar mais de coisas violentas, engraçadas, absurdas ou eróticas).
Mas é claro que não é só anotar a pergunta no papel. Você tem que usar esse papel pra alguma coisa, e não estou falando de usá-lo como auxiliar de sobrevivência a diarreia. O que estou dizendo é: Faça revisão depois de uma seção de estudos, ou melhor, a cada seção do livro que você avançar, ou até mesmo, se estiver com sangue nos olhos, faca nos dente e fogo no rab... (- eita, isso não) revise as perguntas a cada página que você avançar. Responda as perguntas que você se fez, marque aquelas que você não conseguiu responder de primeira. Essas estão pedindo revisão (rever o livro) e pedindo pra serem perguntadas de novo.
Observe que essa ideia ajuda a organizar as coisas, principalmente pra quem estuda escrevendo. Estudar escrevendo não produz conteúdo, afinal você só está copiando o que já está no livro. No entanto, estudando desse modo você já produz um material de revisão, com compactação de informação e que pode ser usado em conjunto com o livro: você pode conferir depois as suas respostas no livro. Além de tudo isso, você pode disponibilizar esse material para outras pessoas, inclusive pra sua versão futura, que quer relembrar muitas das coisas sem ter que ler tudo de novo.
Revisar por meio de perguntas é mais interessante, pois você não fica lendo a mesma coisa até morrer de tédio, você só vai saber o que não sabe e reler o que sabe que não sabe, o estudo ficará mais direcionado.
2. Faça os exercícios do livro (essa seria a resposta que você já sabe).
Uma visão pessoal
Sou estudante de matemática (principalmente, mas informalmente estudo mil coisas), tenho usado isso para aprender as definições, os enunciados dos teoremas, e etc.
O que mais?
Disponibilizei no matematizandoal meu primeiro bloco de revisão, sobre o capítulo 3 de um livro de Integração Estocástica, e pretendo em breve fazer o mesmo com outros livros de matemática de graduação, mestrado e doutorado.
O conteúdo desse texto foi inspirado no livro "Como Aprendemos", do jornalista Benedicty Carey. O livro é bem interessante pra quem gosta de entender o aprendizado.

